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Pare de pensar em seu amigo

Amanhã é muito longe de hoje e, agora, eu penso que “depois” é muito tempo

O nosso “ainda não” mais parece uma maldição e o “quem sabe” é um tormento

Eu não tive a coragem necessária para deixar de pensar em você

Lá no fundo, eu não quero te perder

É possível perder o que não se tem?

Meu Deus, como é complicado gostar de alguém!

Te guardei dentro do meu travesseiro e mais tarde vou te abraçar

Fecharei meus olhos e estaremos juntos até o despertador tocar

E quando você estiver, de verdade, na minha frente

Vou fingir que isso nunca se passou por minha mente

Vou beijar seu rosto com vontade de chorar e depois cantar uma canção angustiante

Não é que eu não goste da sua bochecha, mas sua boca é mais interessante

 


Por Ninguém, Confesso

Confesso, antes que me pergunte, que há mais coisas entre o travesseiro e o espelho, que supõe sua vã curiosidade.

Minha vontade, condizente com o que imagina, mas distinta da realidade, é chamar de “meu amor”, a custa de uma flor de nome desconhecido, aquele certo (?) alguém.

O que fazer se o que desejo foge das possibilidades que a realidade me oferece? Escreverei, para ninguém ler e querendo que todos saibam, coisas aparentemente desconexas, mas que deixam minhas bochechas avermelhadas e minha cabeça encucada; me tira o sono e me sinto, como alguém também já sentiu antes, um cão sem dono.

Se desconfia que isto é para ele, e me pergunta, vou rir e, talvez, até gargalhar. Vou negar! Não, não poderia me apaixonar por meu amigo, se é que é amigo neste caso (do acaso). Eu nem posso fazer meu coração bater por ninguém. Ninguém.

Lembro-me – como uma mãe lembra-se da dor de um parto e depois finge-se de forte como se fosse a dor duma unha encravada – que jurei não me apaixonar e ser amiga de todos e amante de nenhum. Lembro-me das noites em claro, dos travesseiros borrados de rímel e da boca apagada sem batom. Lembro até das conversas com a gata – esta já, inclusive, morreu – que, calada, me aconselhava esquecer-me de todos os homens e não ter ninguém em quem pensar; ninguém pra telefonar às 3 da manhã e dizer “Estou pensando em você”, morta de bêbada no banheiro de um bar fuleiro.

“-Ninguém”, aconselhou-me a gata.

É em ninguém que eu penso. É por ninguém que perdi as noites deste último mês. É por ninguém que escrevo pra matar a saudade, que ele há de nunca imaginar que senti hoje à noite.

 


A idade de ser feliz, de Mário Quintana

“Existe somente uma idade para ser feliz, sonhar e fazer planos.

Uma idade para nos encantar com a vida e viver apaixonadamente, desfrutar tudo com toda a intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer.

Fase em que podemos fazer e recriar a própria imagem vestir-se com todas as cores, experimentar todos os sabores, se entregar a todos os amores sem preconceito nem pudor.

Tempo de entusiasmo e coragem, e tentar de novo e de novo, quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz é o presente e tem a duração do instante que passa.”

 

 


Solidão

Não estou com sono. Nem com fome. É só aquela vontade que te dá no meio da noite de pintar uma tela. Inexprimível. Apenas sinto.

Uma palavra, talvez, seja suficiente: vontade. E se a resposta não for satisfatória, tento uma frase: vontade de preencher o vazio.

Esse imenso vazio. Esse grande nada. Um nada que toma conta de tudo. Triste. Solitário. Como uma senhora sentada na varanda admirada com o pôr-do-sol. Rubro. Rúbia. Dúbia.