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Dias de chuva…

…despertam em mim sentimentos que eu desconheço. Um eu distante do que vejo; distante do que gosto de ser. Um eu frágil demais para sobreviver em dias onde a frieza sobrepõem-se até mesmo aos raios de sol mais fortes, que queimam a pele.

Bate uma saudade de velhos tempos, das pessoas, coisas, momentos e estações que marcaram e que nunca vão voltar.

Ah, que saudade daquela fase onde o que importava mesmo era ser feliz. Onde o momento mais triste do dia era aquela manobra perfeita de skate que não saia. E que sentar-se na esquina com os amigos e uma garrafa de Coca-Cola misturada com Orloff nos trazia alegria!

Uma época onde gritos eram de histeria adolescente e não de ódio latente. Onde gemidos significavam prazer e não dor. Onde nos importávamos mais em ser do que em mostrar.

Queríamos mais do mundo naquela época. Tínhamos o sonho de transformá-lo. Tínhamos uma esperança inocente, e um brilho no olhar; um coração bom que batia no ritmo do rock : aventureiro e descompromissado.

E tudo era mais simples!

Hoje as pessoas me cobram sorrisos, amor e compromisso com uma luta sem sentido para mim.

Sim, eu ainda sinto falta daquele tempo em que eu era feliz e não sabia.

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Então Charlie Brown,

…o que é amor pra você?
– Em 1987 meu pai tinha um carro azul
– Mas o que isso tem a ver com amor?
– Bom, acontece que todos os dias ele dava carona pra uma moça. Ele saía do carro, abria a porta pra ela, quando ela entrava ele fechava a porta, dava a volta pelo carro e quando ele ia abrir a porta pra entrar, ela apertava a tranca. Ela ficava fazendo caretas e os dois morriam de rir.
…acho que isso é amor.
[Tirado do desenho do Snoopy- Não autoral]

A Morte da Verdade

Verdade, a cachorra vira-lata, morreu. Depois que Escrúpulo a abandonou, escreveu um testamento e deixou toda sua herança para seus netos: vacinados, maiores de idade e sem saco para dar qualquer explicação.

Teve uma vida cheia de cobranças; deveras complicada. Morreu de tédio; de falta de gosto (desgosto?). Aparentava ter sete vezes mais idade do que tinha. Coitada.

Passou uma vida inteira sem receber os créditos que merecia. Foi subjugada, falada às escondidas, omitida, renegada. Salvou. Matou. Fez-se de boa moça, mas no fim ela fazia que tudo se acabasse com sua chegada. Num mundo onde quem tem um olho é rei, e quem tem dois é mal visto, era apedrejada só por existir. Pensavam: “melhor ela fora daqui”.

A bem da Verdade, há vida além da morte. Ela deve estar numa outra dimensão, falando o que as pessoas não querem ouvir. Talvez diga que antes da morte, há vida. Mas como lá só vive quem já morreu, e não lembram mais daqui, não acreditarão nela. De novo.

 


A Verdade

Então me desligo e percebo que faço parte de uma grande mentira nossa de todos os dias. Você me personifica num mundo que é só seu. E todos fazem o mesmo. A realidade nada mais é do que o conjunto de vários mundos imaginários; complexas ilusões individuais.

Por um minuto – que pareciam eras, pois certas teorias de “como teria sido se..” ocupavam cada milésimo desse tempo– me permiti imaginar que cada palavra pronunciada naquele instante foi verdadeira. Penso, pois, que a palavra “verdade” é perigosa. Considero que essas mesmas palavras, que para mim foram um atestado da falta com a realidade, sejam fruto do emaranhado de personificações imaginárias do mundo individual do autor que as criou. Logo, seguindo o raciocínio, já que as palavras narravam a realidade por ele criada, eram verdadeiras – em seu mundo.

Há, portanto, duas realidades distintas e dois mundos diferentes.  Duas verdades.