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Dias de chuva…

…despertam em mim sentimentos que eu desconheço. Um eu distante do que vejo; distante do que gosto de ser. Um eu frágil demais para sobreviver em dias onde a frieza sobrepõem-se até mesmo aos raios de sol mais fortes, que queimam a pele.

Bate uma saudade de velhos tempos, das pessoas, coisas, momentos e estações que marcaram e que nunca vão voltar.

Ah, que saudade daquela fase onde o que importava mesmo era ser feliz. Onde o momento mais triste do dia era aquela manobra perfeita de skate que não saia. E que sentar-se na esquina com os amigos e uma garrafa de Coca-Cola misturada com Orloff nos trazia alegria!

Uma época onde gritos eram de histeria adolescente e não de ódio latente. Onde gemidos significavam prazer e não dor. Onde nos importávamos mais em ser do que em mostrar.

Queríamos mais do mundo naquela época. Tínhamos o sonho de transformá-lo. Tínhamos uma esperança inocente, e um brilho no olhar; um coração bom que batia no ritmo do rock : aventureiro e descompromissado.

E tudo era mais simples!

Hoje as pessoas me cobram sorrisos, amor e compromisso com uma luta sem sentido para mim.

Sim, eu ainda sinto falta daquele tempo em que eu era feliz e não sabia.


Tempos Modernos, de Nane Pereira

E ele viu tanta beleza nas olheiras dela,

viu tanta beleza nas unhas pintadas de vermelho,

viu tanta beleza na cabeleira desarrumada.

O olhar perdido dela

Fez-lhe perder o sono.

Ele decorou uma música em inglês

para impressionar a menina e cantou alto,

muito alto…

Se fez apresentar nos horários de café,

de almoço e jantar…

Suspirou pelos cantos…

Suspirou de dor, suspirou de amor.

Esperta,

caçoou dos sentimentos dele,

desprezou os enfeites

e continuo sorrindo.

I-ro-ni-ca-men-te solitária.


E essa tal de felicidade?

Os risos se vão.

Os olhos, que há segundos tentavam se fixar em alguma coisa interessante, querem se fechar. Cansaço, vazio, dúvida. Uma sensação de quase tristeza, mas não chega a tanto.

Inspiro. Expiro. Repito. Penso. Repito.

Não se pode confiar em tudo que se lê ou que se ouve. Sempre ouvi que a felicidade é algo que se alcança depois de se conquistar muitas coisas. Depois li que felicidade é um produto de marketing para tirar dinheiro de pessoas inocentes, bobas e vazias.

Seria a felicidade igual ao pote no fim do arco-íris, um bibelô na prateleira de uma loja cara demais pro meu bolso, uma invenção da mídia ou só algo que eu finjo ser mentira para disfarçar a frustração de não tê-la?

Felicidade… Durmo.