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Casamento da Barbie

Eram nove da manhã de uma Segunda-feira. O dia estava claro, o céu estava limpo e o sol brilhava calmo. Era um dia feliz no alto dos meus sete anos.

Meus ursos de pelúcia eram meus melhores amigos e coadjuvantes das minhas histórias. Muitas crianças inventam amigos imaginários, mas isso não me bastava e acabei por criar um universo inteiro. Eu era o centro do universo que havia criado. Vivia nele dia e noite.

De todos os planetas o que eu mais gostava era um chamado popularidade. Ficava na varanda da casa onde morava quando era pequena. Era um lugar mágico… mas isso não vem ao caso.

Vou falar daquela manhã de Segunda. Era uma manhã especial: eu celebraria o casamento da Barbie com o Ken. Eles estavam tão felizes! Particularmente, acho que estavam assustados com tantos convidados “diferentes”.

Barbie e Ken viviam na estante do meu quarto, ao lado de seres parecidíssimos com eles, todos com formas longas e perfeitas, com rostos angulares, olhos claros, cabelos lisos e loiros e com cheirinho de morango (eu acho). Eles viviam num mundo chamado Plástico. Alguns anos mais tarde conheci outros habitantes de Plástico, mas eles não eram tão gentis quanto Barbie e Ken… bem, imagino que por isso eles não deviam estar muito à vontade com a presença peculiar daquele meu outro grupo de amigos. Meus convidados eram umas dez vezes maiores que os noivos e eram peludos e encorpados. Uns mantinham a língua o tempo inteiro para fora da boca, outros faziam cara de malvados, e outros faziam cara de “melhores amigos do mundo”. Eram os habitantes do mundo Cão. Alguns amigos que tenho hoje em dia dizem viver neste tal mundo Cão, mas falam dele como se fosse um lugar ruim. Vou aconselhá-los a mudarem-se para Plástico, porque de lá recebo sempre boas notícias. Só não vão gostar muito da comida, ou melhor, da falta dela. Deve ser a crise na economia…

Fora este detalhe, os noivos apreciavam a cerimônia com toda felicidade estampada no rosto. A Barbie exibia um corte de cabelo maravilhoso, chamado “tosa do poodle”, ficou maravilhoso e combinou perfeitamente com o vestido amarelo e a grinalda azul que eu confeccionei especialmente para ela. Ken pareceu gostar, afinal, não tirou nem mesmo por um segundo aquele sorriso de príncipe encantado dos lábios. Quer saber? Formam um belo casal.


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Uma página de amor frustrado para romantizar o livro

Ele estava tonto enquanto eu sorria, imaginando o que se passava em meio aos giros; o que ele pensava e sentia.

Eu queria as respostas das perguntas que não tem coragem de existir. Ele, talvez, quisesse mais uma dose desse “saio de mim e revelo-me”.

Os dois numa tentativa frustrada de homicídio. Uma legítima defesa contra a solidão.

“Dois objetos reluzentes”, como ele preferiu chamar, ali, vivendo um momento que mais tarde seria rabiscado mil vezes em folhas de papel. Uma daquelas horas que se vive apenas uma vez e que se tenta descrever eternamente.

Deliciosamente brega.

Amargamente deletado das conversas casuais.