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Por Ninguém, Confesso

Confesso, antes que me pergunte, que há mais coisas entre o travesseiro e o espelho, que supõe sua vã curiosidade.

Minha vontade, condizente com o que imagina, mas distinta da realidade, é chamar de “meu amor”, a custa de uma flor de nome desconhecido, aquele certo (?) alguém.

O que fazer se o que desejo foge das possibilidades que a realidade me oferece? Escreverei, para ninguém ler e querendo que todos saibam, coisas aparentemente desconexas, mas que deixam minhas bochechas avermelhadas e minha cabeça encucada; me tira o sono e me sinto, como alguém também já sentiu antes, um cão sem dono.

Se desconfia que isto é para ele, e me pergunta, vou rir e, talvez, até gargalhar. Vou negar! Não, não poderia me apaixonar por meu amigo, se é que é amigo neste caso (do acaso). Eu nem posso fazer meu coração bater por ninguém. Ninguém.

Lembro-me – como uma mãe lembra-se da dor de um parto e depois finge-se de forte como se fosse a dor duma unha encravada – que jurei não me apaixonar e ser amiga de todos e amante de nenhum. Lembro-me das noites em claro, dos travesseiros borrados de rímel e da boca apagada sem batom. Lembro até das conversas com a gata – esta já, inclusive, morreu – que, calada, me aconselhava esquecer-me de todos os homens e não ter ninguém em quem pensar; ninguém pra telefonar às 3 da manhã e dizer “Estou pensando em você”, morta de bêbada no banheiro de um bar fuleiro.

“-Ninguém”, aconselhou-me a gata.

É em ninguém que eu penso. É por ninguém que perdi as noites deste último mês. É por ninguém que escrevo pra matar a saudade, que ele há de nunca imaginar que senti hoje à noite.

 


Paixão

É o primeiro e o último pensamento dos últimos dias

É aquele que eu não podia pensar

Tira-me a concentração

E acelera minha respiração

Tudo já foi dito, e disseram melhor que eu

A idéia fantástica do que dizem ser a meta

Aquilo que todos querem

Aquilo que alguns dizem que tem…

Aquele devaneio que eu quero acreditar…

Como uma brisa soprando leve

Como gelo derretendo sobre a pele

Como o sol das nove

Como a folha que se move

Irreal e mágico a cada segundo

É o que quero

É o que preciso

É o que eu não tenho.

 

 


Devaneios

Sonhos lunáticos

Apetite voraz

Crítica latente

Argumentos contundentes

Acima da moral

Abaixo do mal

Com gosto de tentação

Quase uma possessão

Som, sensação, concentração…

O inconsciente domina e manipula

Algo bom e sem censura

Pensar “não”, dizer “sim”

Obedecer aos instintos

Sem querer eu consinto

Mais do mesmo

Vício que desobedece ao tédio

O fruto da minha imaginação é o meu remédio

Quando eu acordar isso vai acabar

Então permaneço no meu sono profundo

E, sem querer, desafio o mundo


As primeiras letras

Sofia começou a escrever o que lhe vinha à mente…

Muito tempo passou-se antes que eu nascesse

Nasci atrasada

Cresci com pressa

Esqueci da minha infância, mas penso nela quando a noite chega

A noite é uma criança que morre no fim do dia

“Somente os bons morrem jovens”, ouvi certa vez.


 

e lhe pareceram bonitas aquelas palavras rabiscadas no papel.