Arquivo da categoria: Sentimento em letra

Como curar a dor sem nome?

Diriam os céticos: beba mais, o álcool preencherá esse vazio.

Os românticos defenderiam outra posição: um coração que pulsa em sintonia com um igual, acabará com este mal.

Uma pessoa que já passou da adolescência, mas ainda é jovem e viveu – e quebrou o coração algumas vezes – diria que é melhor seguir em frente, respondendo uma pergunta por dia e aconselharia sorrir, porque não há mal que suporte uma boca cheia de dentes que se abre para o sol e tenta absorver sua energia.

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O que não dá pra mudar

Um dia ainda me explico porque anoto meu futuro – aquele que eu deveria ter – nas últimas folhas do caderno. Nunca releio a tempo. Só muito tempo depois.

Um dia desses ainda perco o medo, que não sei bem quando achei, de falar o que eu quero que entendam de maneira fina, mas objetiva.

Um dia desses aprendo a falar ao invés de escrever. E o melhor: a falar com as pessoas que provocaram essa vontade de comunicação.

Um dia desses, talvez, acorde mais paciente e não reclame da vida de merda que levamos, conformados.

Quem sabe um dia eu me conforme. E em outro me conforme com meu conformismo. Ou com meu pseudo-conformismo.

Quem sabe um dia minha dieta dure mais de 48 horas, eu fique mais magra e fique dentro dos padrões que cresci odiando.

Talvez um dia eu mergulhe fundo em um assunto e saiba aplicá-lo prolixamente, ao invés de sintetizar sobre Deus e em seguida sobre a batata frita do Burguer King.

Um dia desses eu posso comprar mais roupas que livros, sair vestida nelas para as festas que todo mundo vai, fazer o que todo faz e conversar sobre a novela.

Um dia desses ainda me calo diante de uma opinião absurda e contrária à minha, sorrio como se estivesse satisfeita e convertida, e ajo de acordo com o que convém.

Um dia desses talvez eu mude tanto que acabe me tornando quem você quer que eu seja. Qualquer pessoa, que não seja eu.


Pare de pensar em seu amigo

Amanhã é muito longe de hoje e, agora, eu penso que “depois” é muito tempo

O nosso “ainda não” mais parece uma maldição e o “quem sabe” é um tormento

Eu não tive a coragem necessária para deixar de pensar em você

Lá no fundo, eu não quero te perder

É possível perder o que não se tem?

Meu Deus, como é complicado gostar de alguém!

Te guardei dentro do meu travesseiro e mais tarde vou te abraçar

Fecharei meus olhos e estaremos juntos até o despertador tocar

E quando você estiver, de verdade, na minha frente

Vou fingir que isso nunca se passou por minha mente

Vou beijar seu rosto com vontade de chorar e depois cantar uma canção angustiante

Não é que eu não goste da sua bochecha, mas sua boca é mais interessante

 


Por Ninguém, Confesso

Confesso, antes que me pergunte, que há mais coisas entre o travesseiro e o espelho, que supõe sua vã curiosidade.

Minha vontade, condizente com o que imagina, mas distinta da realidade, é chamar de “meu amor”, a custa de uma flor de nome desconhecido, aquele certo (?) alguém.

O que fazer se o que desejo foge das possibilidades que a realidade me oferece? Escreverei, para ninguém ler e querendo que todos saibam, coisas aparentemente desconexas, mas que deixam minhas bochechas avermelhadas e minha cabeça encucada; me tira o sono e me sinto, como alguém também já sentiu antes, um cão sem dono.

Se desconfia que isto é para ele, e me pergunta, vou rir e, talvez, até gargalhar. Vou negar! Não, não poderia me apaixonar por meu amigo, se é que é amigo neste caso (do acaso). Eu nem posso fazer meu coração bater por ninguém. Ninguém.

Lembro-me – como uma mãe lembra-se da dor de um parto e depois finge-se de forte como se fosse a dor duma unha encravada – que jurei não me apaixonar e ser amiga de todos e amante de nenhum. Lembro-me das noites em claro, dos travesseiros borrados de rímel e da boca apagada sem batom. Lembro até das conversas com a gata – esta já, inclusive, morreu – que, calada, me aconselhava esquecer-me de todos os homens e não ter ninguém em quem pensar; ninguém pra telefonar às 3 da manhã e dizer “Estou pensando em você”, morta de bêbada no banheiro de um bar fuleiro.

“-Ninguém”, aconselhou-me a gata.

É em ninguém que eu penso. É por ninguém que perdi as noites deste último mês. É por ninguém que escrevo pra matar a saudade, que ele há de nunca imaginar que senti hoje à noite.

 


Dias de chuva…

…despertam em mim sentimentos que eu desconheço. Um eu distante do que vejo; distante do que gosto de ser. Um eu frágil demais para sobreviver em dias onde a frieza sobrepõem-se até mesmo aos raios de sol mais fortes, que queimam a pele.

Bate uma saudade de velhos tempos, das pessoas, coisas, momentos e estações que marcaram e que nunca vão voltar.

Ah, que saudade daquela fase onde o que importava mesmo era ser feliz. Onde o momento mais triste do dia era aquela manobra perfeita de skate que não saia. E que sentar-se na esquina com os amigos e uma garrafa de Coca-Cola misturada com Orloff nos trazia alegria!

Uma época onde gritos eram de histeria adolescente e não de ódio latente. Onde gemidos significavam prazer e não dor. Onde nos importávamos mais em ser do que em mostrar.

Queríamos mais do mundo naquela época. Tínhamos o sonho de transformá-lo. Tínhamos uma esperança inocente, e um brilho no olhar; um coração bom que batia no ritmo do rock : aventureiro e descompromissado.

E tudo era mais simples!

Hoje as pessoas me cobram sorrisos, amor e compromisso com uma luta sem sentido para mim.

Sim, eu ainda sinto falta daquele tempo em que eu era feliz e não sabia.


Paixão

É o primeiro e o último pensamento dos últimos dias

É aquele que eu não podia pensar

Tira-me a concentração

E acelera minha respiração

Tudo já foi dito, e disseram melhor que eu

A idéia fantástica do que dizem ser a meta

Aquilo que todos querem

Aquilo que alguns dizem que tem…

Aquele devaneio que eu quero acreditar…

Como uma brisa soprando leve

Como gelo derretendo sobre a pele

Como o sol das nove

Como a folha que se move

Irreal e mágico a cada segundo

É o que quero

É o que preciso

É o que eu não tenho.

 

 


Devaneios

Sonhos lunáticos

Apetite voraz

Crítica latente

Argumentos contundentes

Acima da moral

Abaixo do mal

Com gosto de tentação

Quase uma possessão

Som, sensação, concentração…

O inconsciente domina e manipula

Algo bom e sem censura

Pensar “não”, dizer “sim”

Obedecer aos instintos

Sem querer eu consinto

Mais do mesmo

Vício que desobedece ao tédio

O fruto da minha imaginação é o meu remédio

Quando eu acordar isso vai acabar

Então permaneço no meu sono profundo

E, sem querer, desafio o mundo