A Morte da Verdade

Verdade, a cachorra vira-lata, morreu. Depois que Escrúpulo a abandonou, escreveu um testamento e deixou toda sua herança para seus netos: vacinados, maiores de idade e sem saco para dar qualquer explicação.

Teve uma vida cheia de cobranças; deveras complicada. Morreu de tédio; de falta de gosto (desgosto?). Aparentava ter sete vezes mais idade do que tinha. Coitada.

Passou uma vida inteira sem receber os créditos que merecia. Foi subjugada, falada às escondidas, omitida, renegada. Salvou. Matou. Fez-se de boa moça, mas no fim ela fazia que tudo se acabasse com sua chegada. Num mundo onde quem tem um olho é rei, e quem tem dois é mal visto, era apedrejada só por existir. Pensavam: “melhor ela fora daqui”.

A bem da Verdade, há vida além da morte. Ela deve estar numa outra dimensão, falando o que as pessoas não querem ouvir. Talvez diga que antes da morte, há vida. Mas como lá só vive quem já morreu, e não lembram mais daqui, não acreditarão nela. De novo.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: