Arquivo do mês: novembro 2010

Pare de pensar em seu amigo

Amanhã é muito longe de hoje e, agora, eu penso que “depois” é muito tempo

O nosso “ainda não” mais parece uma maldição e o “quem sabe” é um tormento

Eu não tive a coragem necessária para deixar de pensar em você

Lá no fundo, eu não quero te perder

É possível perder o que não se tem?

Meu Deus, como é complicado gostar de alguém!

Te guardei dentro do meu travesseiro e mais tarde vou te abraçar

Fecharei meus olhos e estaremos juntos até o despertador tocar

E quando você estiver, de verdade, na minha frente

Vou fingir que isso nunca se passou por minha mente

Vou beijar seu rosto com vontade de chorar e depois cantar uma canção angustiante

Não é que eu não goste da sua bochecha, mas sua boca é mais interessante

 

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Sobre a Falta

O ilustre senhor quase desconhecido me perguntou o que nos falta.

Falta o que há tanto está em falta: a surpresa, o improvável, o talvez, o tempo, o por do sol, o banho de chuva, a farinha no nariz, a poesia, o porre, o acaso, as conversas sobre nossos casos…

Outro dia me veio com uma dessas perguntas estupidamente simples e, ao mesmo tempo, complexas. “É feliz“? Fiquei matutando isto pelos últimos dois anos e, em 140 caracteres, tive que responder de pronto. Sou uma dessas pessoas que não conseguem deixar uma pergunta sem resposta. Questão de honra, pura e simplesmente. “– Não”.

Talvez o que falta não importe tanto assim. Já temos as risadas e esse Q de “deixa o tempo passar, vamos ver no que isso dá”. Vamos, ou vou, ou vai… Vai saber! Veja só, já temos o “talvez”. Bom começo.

 

 


Por Ninguém, Confesso

Confesso, antes que me pergunte, que há mais coisas entre o travesseiro e o espelho, que supõe sua vã curiosidade.

Minha vontade, condizente com o que imagina, mas distinta da realidade, é chamar de “meu amor”, a custa de uma flor de nome desconhecido, aquele certo (?) alguém.

O que fazer se o que desejo foge das possibilidades que a realidade me oferece? Escreverei, para ninguém ler e querendo que todos saibam, coisas aparentemente desconexas, mas que deixam minhas bochechas avermelhadas e minha cabeça encucada; me tira o sono e me sinto, como alguém também já sentiu antes, um cão sem dono.

Se desconfia que isto é para ele, e me pergunta, vou rir e, talvez, até gargalhar. Vou negar! Não, não poderia me apaixonar por meu amigo, se é que é amigo neste caso (do acaso). Eu nem posso fazer meu coração bater por ninguém. Ninguém.

Lembro-me – como uma mãe lembra-se da dor de um parto e depois finge-se de forte como se fosse a dor duma unha encravada – que jurei não me apaixonar e ser amiga de todos e amante de nenhum. Lembro-me das noites em claro, dos travesseiros borrados de rímel e da boca apagada sem batom. Lembro até das conversas com a gata – esta já, inclusive, morreu – que, calada, me aconselhava esquecer-me de todos os homens e não ter ninguém em quem pensar; ninguém pra telefonar às 3 da manhã e dizer “Estou pensando em você”, morta de bêbada no banheiro de um bar fuleiro.

“-Ninguém”, aconselhou-me a gata.

É em ninguém que eu penso. É por ninguém que perdi as noites deste último mês. É por ninguém que escrevo pra matar a saudade, que ele há de nunca imaginar que senti hoje à noite.

 


Tão breve quanto o Sábado

Eram 11:59 de um Sábado a noite. A lua estava cheia. A casa estava vazia e silenciosa. O cachorro dormia. E ela pensava. Ela, a Menina de olhos assustados, estava sentada em sua cama com mil pensamentos, totalmente perdida dentro de si. Não queria mais lembrar da lua da noite anterior e decidiu fechar os olhos e imaginar o sol. Dormiu.

Na frente de um lago, com o céu azul e limpo, com a brisa soprando leve, a Menina abriu seus braços e esboçou um sorriso para os Deuses, Orixás, Estrelas do infinito, pra Mãe e pro Pai de todos os santos. Não importava qual divindade existia, o importante era sorrir em agradecimento ao dia. Mais um dia. Bom. Muito bom.

Abaixou seus braços e abriu os olhos. Tudo que viu do céu foram as estrelas de neon na parede de seu quarto. Era um sonho. O tempo inteiro imagens feitas pela sua cabeça. Apenas um sonho.

Levantou. Fez café e fumou um cigarro. Esperou Domingo nascer para começar a odiar Segunda. Fez anotações em seu velho livro de lembranças e voltou para o velho jogo de sorrir.

 


Caos

Quando tudo dá errado, vem a matemática e te prova que você não sabe de nada: “tudo” é relativo; existe sempre algo mais pra dar errado. E dá.

Aí, quando se está com os nervos à flor da pele e a dúvida que predomina é “ligo pro chefe ou pro cardiologista”, aparece uma velhinha falando proparoxítonas pelos cotovelos, e te faz dizer o que sua avó se envergonharia só de ouvir. Que feio.<

“Calma, jornalista”! Imperativo categórico.

 


Fala de Lucy para Schroeder, do episódio “Lucy ama Schroeder” [snoopy]

“Eles dizem que nós garotas, somos como músicas bonitas, como canções inesquecíveis! Você nunca pensou em mim como uma melodia que você gosta…?”


A idade de ser feliz, de Mário Quintana

“Existe somente uma idade para ser feliz, sonhar e fazer planos.

Uma idade para nos encantar com a vida e viver apaixonadamente, desfrutar tudo com toda a intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer.

Fase em que podemos fazer e recriar a própria imagem vestir-se com todas as cores, experimentar todos os sabores, se entregar a todos os amores sem preconceito nem pudor.

Tempo de entusiasmo e coragem, e tentar de novo e de novo, quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz é o presente e tem a duração do instante que passa.”