Arquivo do mês: agosto 2010


Solidão

Não estou com sono. Nem com fome. É só aquela vontade que te dá no meio da noite de pintar uma tela. Inexprimível. Apenas sinto.

Uma palavra, talvez, seja suficiente: vontade. E se a resposta não for satisfatória, tento uma frase: vontade de preencher o vazio.

Esse imenso vazio. Esse grande nada. Um nada que toma conta de tudo. Triste. Solitário. Como uma senhora sentada na varanda admirada com o pôr-do-sol. Rubro. Rúbia. Dúbia.

 


Uma página de amor frustrado para romantizar o livro

Ele estava tonto enquanto eu sorria, imaginando o que se passava em meio aos giros; o que ele pensava e sentia.

Eu queria as respostas das perguntas que não tem coragem de existir. Ele, talvez, quisesse mais uma dose desse “saio de mim e revelo-me”.

Os dois numa tentativa frustrada de homicídio. Uma legítima defesa contra a solidão.

“Dois objetos reluzentes”, como ele preferiu chamar, ali, vivendo um momento que mais tarde seria rabiscado mil vezes em folhas de papel. Uma daquelas horas que se vive apenas uma vez e que se tenta descrever eternamente.

Deliciosamente brega.

Amargamente deletado das conversas casuais.